EXPLORANDO UM MUSEU DE PRÉ-HISTÓRIA COMO ESPAÇO NÃO FORMAL PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DE CIÊNCIAS

Edimarcio Francisco Rocha, Eduardo Ribeiro Mueller, Edslei Rodrigues Almeida

Resumo


Resumo: Neste artigo, apresentamos uma experiência sobre a utilização de espaços não formais para o desenvolvimento de atividades relacionadas ao ensino e à aprendizagem de conteúdos curriculares que podem envolver diversas áreas do conhecimento, como a química e a biologia. Desse modo, destacamos um museu de pré-história como um potencial espaço não formal para o desenvolvimento dessas atividades. Utilizando pressupostos da pesquisa qualitativa e como recurso metodológico a aula de campo, realizamos observações e proposições sobre possíveis abordagens de temas relacionados ao ensino e aprendizagem de conceitos científicos, tendo como objetivo indicar aos professores meios alternativos ao processo tradicional de ensino que fragmenta o conhecimento. Como um espaço não formal para o ensino, o museu apresenta elementos que podem contribuir para a aprendizagem, uma vez que oferece formas de contextualizar o conhecimento das diferentes áreas, demonstrando ser um ambiente que propicia trabalhar assuntos relacionados com as Ciências da Natureza e, também, a conceitos étnicos, históricos, geográficos, linguísticos e políticos. Além disso, esse espaço se caracteriza como um local capaz de romper as barreiras da sala de aula, permitindo a interação do indivíduo com os artefatos expostos, contextualizando questões locais e contribuindo para a apropriação do conhecimento científico de maneira construtivista.

Palavras-chave: Museu. Alfabetização científica. Mediação. Construtivista.

Abstract: In this article, we present an experience about the use of non-formal spaces for the development of activities related to the teaching and learning of curricular contents that may involve several areas of knowledge, such as chemistry and biology. Thus, we highlight a pre-history museum as a potential non-formal space for the development of these activities. Using qualitative research assumptions and as a methodological resource the field class, we make observations and propositions about possible approaches to topics related to teaching and learning of scientific concepts, aiming to indicate to teachers alternative means to the traditional teaching process that fragments knowledge. As a non-formal space for teaching, the museum presents elements that can contribute to learning, since it offers ways to contextualize the knowledge of the different areas, proving to be an environment that facilitates work related to Nature Sciences and, also , to ethnic, historical, geographical, linguistic and political concepts. In addition, this space is characterized as a place capable of breaking the barriers of the classroom, allowing the interaction of the individual with the exposed artifacts, contextualizing local issues and contributing to the appropriation of scientific knowledge in a constructivist way.

Keywords: Museum. Scientific Literacy. Mediation. Constructivist.


Palavras-chave


Educação básica; Ensino superior; Museu de ciências; Ambiente não formal

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DOI: http://dx.doi.org/10.23926/RPD.2526-2149.2018.v3.n2.p461-476.id188

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