Avaliação da qualidade Físico-Química do leite produzido na região do Araguaia-Xingu
DOI:
https://doi.org/10.33912/pagro.v9i1.1256Palavras-chave:
Produtores de leite; Avaliação físico-química; Adulterantes no leite; Testes antifraudeResumo
O estudo teve como objetivo avaliar a qualidade físico-química do leite cru refrigerado produzido e comercializado na região do Araguaia/Xingu, Mato Grosso, verificando sua conformidade com a Instrução Normativa nº 76/2018 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A pesquisa foi motivada pela relevância econômica da atividade leiteira e pela necessidade de assegurar um produto seguro à população. Foram coletadas amostras de cinco produtores locais e realizadas análises no Instituto Federal de Mato Grosso – Campus Confresa, utilizando metodologias do Instituto Adolfo Lutz (2008). As determinações incluíram acidez titulável, pH, densidade, crioscopia, extrato seco total, umidade, cinzas e caseína, além de testes qualitativos para neutralizantes, peróxido de hidrogênio, ureia, sacarose e amido. Os resultados evidenciaram que as amostras A e B atenderam plenamente aos padrões legais, apresentando acidez entre 0,16 e 0,17 g de ácido lático/100 mL e pH entre 6,4 e 6,6. As amostras D e E registraram acidez elevada e pH reduzido, indicando início de fermentação microbiana. Os valores crioscópicos das amostras C e D podem indicar adição de água, acompanhados de extrato seco total inferior ao mínimo recomendado. Dessa forma, conclui-se que a qualidade físico-química do leite cru comercializado na região do Araguaia/Xingu mostrou-se heterogênea, refletindo a carência de padronização nas práticas de ordenha e resfriamento, bem como a carência de fiscalização e acompanhamento técnico nas propriedades rurais
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