Gotas negras no oceano branco: a (re)existência literária da negritude brasileira

Autores

  • Wesley Henrique Alves da Rocha Universidade Federal de Mato Grosso

DOI:

https://doi.org/10.47270/ra.v7i14.1149

Palavras-chave:

Literatura negra brasileira, Decolonialidade, Resistência cultural

Resumo

Este artigo oferece um panorama da produção literária negra brasileira contemporânea, com base em dados extraídos do site Literafro e de fontes complementares. A partir da análise de 126 escritoras e escritores negros(as) em atividade, evidenciam-se recortes de gênero e localização geográfica que apontam para desigualdades estruturais no campo literário nacional. O estudo fundamenta-se em aportes teóricos da interseccionalidade (Crenshaw; Collins), do pensamento decolonial (Grosfoguel; Akotirene) e no conceito de pacto narcísico da branquitude (Bento). Argumenta-se que o racismo estrutural e o patriarcalismo incidem diretamente sobre a visibilidade, a publicação e o reconhecimento das produções negras. Enfatiza-se a atuação resistente dos(as) escritores(as) negros(as), sobretudo das mulheres negras, que enfrentam uma dupla marginalização. Examina-se ainda o papel das editoras independentes e dos coletivos na valorização dessa produção. Por fim, propõe-se a literatura negra como instrumento de ruptura com o cânone eurocêntrico e agente de transformação social, contribuindo para a constituição de uma literatura brasileira plural e democrática.

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Publicado

30-06-2025

Como Citar

HENRIQUE ALVES DA ROCHA, Wesley. Gotas negras no oceano branco: a (re)existência literária da negritude brasileira. Revista AlembrA, [S. l.], v. 7, n. 14, p. 36–58, 2025. DOI: 10.47270/ra.v7i14.1149. Disponível em: https://periodicos.cfs.ifmt.edu.br/periodicos/index.php/alembra/article/view/1149. Acesso em: 18 maio. 2026.