Imagens do rugido da onça: uma perspectiva decolonial do (contra)romantismo brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.47270/ra.v7i15.1247Palavras-chave:
Povos indígenas, Imagens, Romantismo, DecolonialidadeResumo
Muito antes da chegada dos portugueses, os povos originários já habitavam o solo brasileiro. Formas de dominação diversas foram impingidas contra a cultura e ancestralidade desses povos validadas pelo eurocentrismo. Na primeira fase romântica após a independência do Brasil, o poeta Gonçalves Dias designou o indígena como o maior representante dessa nacionalidade, o que convergia com o lirismo próprio dessa escola. Desse encantamento não se pode subtrair o extermínio dessas comunidades durante séculos de ocupação do território brasileiro pela classe dominante. Será esse rumor agonizante que dará voz à personagem Iñe-e, criança indígena que sofrerá processo de expatriação e consequente etnogenocídio em solo estrangeiro. O silêncio ensurdecedor e os sons ecoados pela indígena em O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk (2021), vem representar o eco das memórias de seus antepassados. Dessa forma, este artigo busca discutir os aspectos de (de)colonialidade em imagens da obra de Verunschk, e sua relação com a história romântica dos povos originários no Brasil, no século XIX. A relevância do estudo, a partir de diferentes recortes textuais, recai sobre a criação de um novo imaginário da história das comunidades tradicionais no período em questão, elemento importante para desmistificar uma cosmovisão singular e corrompida, historicamente construída, relacionada aos povos originários, a qual perdura até os dias atuais.
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