Cinismo branco: primeiras considerações
DOI:
https://doi.org/10.47270/ra.v7i15.1286Palavras-chave:
Relações Étnico-raciais, Branquitude, CinismoResumo
: Neste ensaio busco elaborar o que inicialmente trato como “Cinismo Branco”, termo com que nomeio a força central pujante operada pelos corpos brancos, atores a serviço dos racismos. Força esta que garante a operalidade do pacto da branquitude, conceito de Bento (2022), atuando a favor da invisibilidade branca e da violência racial em todas as formas, fazendo com que o racismo exista, persista e perdure. Logo, o objetivo deste ensaio é convidar as leitoras a esta reflexão: incluir como o corpo branco reconhece e se coloca para operar o racismo dentro das relações, dando destaque ao cinismo na roupagem da hipocrisia, da indulgência e do descaramento, pois é de meu entendimento que as construções até o momento contemplam a elaboração da branquitude em relação ao racismo num processo mental, arquitetado dentro de suas de redes racionais. Para tanto, inicialmente estabeleço comparação entre o cínico, enquanto imagem filosófica, e os instrumentos de manutenção de poder da branquitude, para então discorrer como a máscara segue como mãe das metáforas das relações raciais brasileiras que tem no corpo o marcador de violências. A minha proposta é a observação e consideração do corpo como agente físico dessas elaborações mentais. Viso contribuir com as reflexões do campo de estudos da branquitude desafiando a lógica iluminista/racionalista/acadêmica/racista – na qual o corpo está hierarquicamente abaixo da mente, colaborando com a desconstrução da colonialidade do pensamento.
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