Diagnóstico da Agricultura Familiar na comunidade remanescente do Quilombo do Gurupá no município de Cachoeira do Arari, Marajó, Pará: Perspectiva Social, Ambiental e Econômica
DOI:
https://doi.org/10.33912/pagro.v9i1.1188Palavras-chave:
Palavras-chave: Povos tradicionais; caracterização; desenvolvimento sustentável.Resumo
Objetivou-se com este trabalho analisar a agricultura familiar na Comunidade Remanescente do Quilombo do Gurupá, em Cachoeira do Arari, Ilha do Marajó, Pará, destacando suas dimensões social, ambiental e econômica. A pesquisa de natureza exploratória e descritiva, combinou abordagem quanti-qualitativa, aplicação de questionários a 17 famílias e revisão bibliográfica. Os resultados revelam que a agricultura é a base da existência quilombola, marcada pela predominância da horticultura, pecuária e práticas extrativistas, ainda fortemente atreladas ao saber tradicional. Apesar de sua importância, o segmento enfrenta limitações estruturais, como baixo acesso a crédito, ausência de assistência técnica e baixa escolaridade, fatores que restringem a adoção de tecnologias, práticas conservacionistas e estratégias agroecológicas. Além disso, a baixa participação em associações e cooperativas compromete o fortalecimento coletivo e o acesso a mercados. Observou-se também a percepção local sobre os impactos das mudanças climáticas, aliados à dependência de recursos hídricos naturais. Diante desse cenário, destaca-se a urgência de políticas públicas específicas, que articulem apoio técnico, capacitação, incentivo à organização social e acesso a financiamento, favorecendo a autonomia e a sustentabilidade da produção. Assim, o estudo contribui para ampliar a compreensão sobre os desafios e potencialidades da agricultura familiar quilombola na Amazônia, reforçando a necessidade de ações integradas que valorizem os saberes tradicionais e fortaleçam a segurança alimentar, a geração de renda e a conservação ambiental.
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