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Matemáticas incas, maias e astecas: fragmentos de uma síntese histórica

Autores

Carlos Ian Bezerra de Melo
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https://orcid.org/0000-0003-1555-3524
Juliana Campos Lima Araújo
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https://orcid.org/0009-0006-9225-1414
Ana Beatriz de Araujo
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https://orcid.org/0000-0002-4095-0655

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Resumo

Diante da escassez de produção em nossa língua sobre as práticas matemáticas dos povos Maias, Incas e Astecas, faz-se necessário, numa perspectiva anticolonial e epistemicamente insubordinada, reunir conhecimentos a esse respeito. Teve-se, assim, como objetivo abordar aspectos e contribuições das matemáticas maia, inca e asteca, a partir de uma revisão narrativa de literatura nacional e internacional, sistematizando algumas práticas matemáticas dessas civilizações. Como resultados, sobre os Maias, vimos elementos de sua precisa contagem do tempo, ancorada em um sistema de numeração vigesimal, contando pioneiramente com um símbolo para o zero; sobre os Incas, vimos que, ao invés de representações pictóricas (algarismos), esses povos investiram na concepção de contagem com palavras numéricas, amparados por instrumentos para realizar (yupanas) e registrar (quipus) tais contagens; e quanto aos Astecas, conhecemos seu sistema de numeração vigesimal, não posicional, com vestígios da noção de zero, além dos seus cálculos de tempo, provavelmente realizados no Nepohualtzintzin.

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Referências

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